ARTES
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Teatro Épico e Teatro Dramático. Qual a diferença entre eles ?
TEATRO ÉPICO
O teatro épico se desenvolveu na Rússia depois da
Revolução Russa de 1917, e na Alemanha, durante o período da República de
Weimar. São considerados pioneiros desta linguagem o
diretor russo Meyerhold e o diretor teatral alemão Erwin Piscator. Apesar dos elementos da linguagem épica no teatro
existirem desde os seus primórdios, desde os gregos, o conceito de Teatro Épico
ficou conhecido com o trabalho prático e teórico de Bertolt Brecht, aluno de
Meyerhold, sob forma de uma nova linguagem cênica.
O Teatro Épico tem como base a interpretação de textos que abordam conflitos entre classes sociais, com uma forte tendência Marxista, e que são encenados por um método conhecido como Distanciamento, Estranhamento ou Efeito V, que tem por base uma abordagem quase didática da linguagem teatral, com o objetivo de provocar a reflexão e uma visão crítica do espectador, sem permitir que ele mergulhe em um processo de empatia com uma personagem ou história fictícia, ou se entregue emocionalmente ao desfecho dramático natural de uma peça.
TEATRO DRAMÁTICO
A base do teatro dramático remonta ao pensamento
do filósofo grego Aristóteles, em sua obra "Poética", onde ele
teoriza e descreve os princípios da Tragédia, uma forma de drama representado
na antiga Grécia, que se caracteriza por um tom de seriedade e dignidade e tem
por base um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior,
como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade contra o qual o herói trágico
impõe uma nova ordem, que o leva ao sofrimento ou a destruição.
Para Aristóteles, a tragédia tem por resultado uma catarse da audiência, um sentimento de redenção e alívio ao vivenciar o terror ou o sofrimento do herói trágico e seu destino, o que explicaria o motivo do Ser Humano apreciar assistir ao sofrimento dramatizado. Basicamente, o cerne do teatro dramático é o conflito, que se justifica na medida em que Homem é um ser diáletico, que se define a partir da análise e síntese de sua reação a situações de conflito. O conflito entre os objetivos das personagens e obstáculo ao cumprimento de sua vontade gera interesse no espectador.
Fizemos um quadro comparativo entre teatro épico e teatro dramático, para entender melhor as diferenças.
Gêneros Teatrais
Gênero teatral é uma definição
sempre questionável. Como toda generalização, sempre deixará de lado traços
particulares de cada obra individual e, como toda definição, ela será
sempre marcada por questões e pontos de vista de cultura e de cada
época.
Alguns
gêneros teatrais:
Auto
Comédia
Drama
Farsa
Melodrama
Melodrama
no teatro
Ópera
Musical
Revista
Stand-up comedy
Surrealismo
Tragédia
Tragicomédia
Teatro na
escola
Teatro de
feira
Teatro de
improvisação
Teatro
invisível
Teatro de
fantoches
Teatro de
sombras
Teatro
lambe-lambe
Existem muitos tipos de gêneros, então,
decidimos explicar os mais conhecidos, são eles:
Tragédia
Clássica
Na tragédia, geralmente trabalham-se com temas homéricos nos
quais os heróis possuem um destino traçado e sofrem ao confrontá-lo, sendo o
sofrimento irrefutável. As tragédias inspiram "terror e piedade" no
público que observam os heróis (pessoas justas, nobres e corajosas) caminharem
sem temores para a desgraça ou morte.
Segundo Aristóteles, “É pois a tragédia imitação de uma ação de
caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com
várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes do drama,
imitação que se efetua não por narrativa, mas mediante atores, e que,
suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções.”
(ARISTÓTELES, 1966).
Comédia
A palavra comédia tem origem grega (komoidía, de kômos,
que significa festa, e oidós, cantor) e, ao contrário da tragédia
visa provocar risos no espectador. Geralmente, o tema trabalhado nas peças
apresentam situações da vida cotidiana, e são explorados os exageros do
comportamento humano, os ridículos e a crítica aos costumes da sociedade.
Farsa
A farsa é um gênero dramático cômico que se utiliza de
personagens caricatos e exêntricos, além de mostrar situações exageradas. Na
farsa não existe a preocupação com discussão de valores ou perturbação das
relações sociais mesmo quando inspira-se em situações do cotidiano. A farsa
simplesmente expõe as situações de forma burlesca, visando apenas o humor.
Quem foi Constantin Stanislavski ?
Constantin Stanislavski nasceu na cidade de
Moscou em 5 de Janeiro de 1863 e desde muito cedo teve seu primeiro contato com
o mundo das artes. Vindo de uma família de comerciantes abastados, seu pai
construiu um pequeno teatro dentro de sua própria casa, onde haviam
apresentações de peças para o seleto grupo de amigos da família, bem como
encontros de intelectuais conhecidos da época.
Quase dez anos mais tarde, após inúmeras trocas de
correspondências com o escritor e professor Vladímir Dântchenco, no dia 22
de junho de 1897 ocorre um encontro histórico que influenciaria até os dias de
hoje o teatro mundial. Stanislavski e Dântchenco resolvem fundar o Teatro de Arte de Moscou,
do qual tem como objetivo a busca de uma unidade teatral, inovando na forma de
interpretação dos atores e proporcionando à platéia uma apresentação da
realidade nos palcos, quebrando paradigmas pré-impostos, baseando-se em sérios
e aprofundados estudos sobre expressão corporal, vocal e técnicas de preparação
do ator. Sua vontade não se limitava a querer construir um sistema com verdades
absolutas, mas sim criar a acessibilidade aos atores, indagá-los a respeito da
capacidade de cada um e de como o trabalho do ator era capaz de atingir o
público.
Dentre os vários métodos experimentados neste local, alguns deles
foram levados mais afundo, resultando em uma série de exercícios e técnicas dos
quais foram chamados mais tarde de “Sistema”, por Constantin Stanislavski.
Após sofrer um ataque cardíaco no ano de 1928, Stanislavski deixa
de atuar e passa a se dedicar apenas à direção e formação de atores e
diretores. Ele permanece por muito tempo relutando em escrever um livro que
pudesse eternizar seus métodos e inspirar outros artistas, mas uma amiga
americana chamada Elizabeth Hapgood juntamente com seu marido Norman Hapgood, conseguiram
convencer Stanislavski a publicar seu primeiro livro, A Preparação do Ator, em
1936 com tradução em inglês feita pela própria Elizabeth, do qual enfatiza o
trabalho interior do ator.
Stanislavski morre no dia 7 de agosto de 1938, na mesma cidade
onde nasceu, Moscou, deixando como legado seus métodos, mais tarde publicados
em 7 volumes com tradução em inglês, espanhol, francês, italiano, russo e
português e em diferentes títulos.
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