quarta-feira, 27 de abril de 2016

DICAS PARA CONSTRUIR UMA PEÇA TEATRAL

Parte 1 de 2: Planejamento e Organização

1.

Encontre um texto. Você, o produtor, é a primeira pessoa a iniciar o processo de criação de uma peça. Antes de mais nada, você (e/ou sua equipe) precisa decidir qual peça produzir. Você pode escolher um clássico, como Os miseráveis, A morte do caixeiro viajante, Miss Saigon, ou O sol tornará a brilhar - peças famosas como estas são produzidas frequentemente e por muito tempo após a estreia. Entretanto, você pode optar por produzir uma peça inédita. Se esse for o caso, procure textos de autores talentosos, que podem ser encontrados em vários locais, como universidades, companhias de teatro, ou através de um agente.
*Lembre-se que peças de teatro são propriedades intelectuais e você precisará pagar para usá-las. Contate o autor, ou seu agente, ou ainda o detentor dos direitos autorais, caso o texto que você escolheu não esteja em domínio público.

2.        
Encontre um diretor. O diretor é o "chefe" da peça, quanto às decisões criativas. Ele dirige os atores nos ensaios, dá a palavra final nas decisões estéticas, como acessórios e cenário, e, no final, receberá todo o crédito (bom ou ruim) pela peça. O produtor é responsável por encontrar um diretor que se encaixe no processo - você pode escolher um amigo, um profissional parceiro ou um novato promissor. Lembre-se de que o diretor pode não aceitar o convite ou pedir um cachê maior. Sua função, como produtor, é encontrar outro diretor ou negociar com aquele que você quer.
*Alguns produtores podem assumir o papel de diretor também. Essa é uma grande responsabilidade para uma pessoa, portanto só assuma esse papel se você tiver bastante experiência.

3.
 Assegure o pagamento. Uma das funções mais importantes do produtor é pagar pela peça. Se você tiver dinheiro para isso, você pode ser o único investidor. Entretanto, muitas peças são pagas por um grupo de investidores - indivíduos ricos que desejam lucrar com a produção. Nesse caso, é o seu trabalho buscar investidores, sejam eles pessoas conhecidas ou não.
*Também é sua função mantê-los felizes e informados durante a produção, notificando mudanças, projeções de venda, entre outas coisas.

4. 
Encontre um local. Peças de teatro precisam de espaço físico para ensaios e para apresentações. Sua função é encontrar esse espaço para sua peça. O espaço deve compreender todos os aspectos técnicos da sua produção (como o tamanho do palco, iluminação, sistema de som, etc.) e deve ser grande o suficiente para abrigar o público pretendido. Outros aspectos a serem considerados são:
*Custo do teatro - locais diferentes possuem regras diferentes de custos, lucros e vendas de ingresso
*Equipe - verifique se o teatro oferece uma equipe de funcionários (bilheteiros, etc.)
*Seguro - verifique se o teatro tem seguro
*Qualidade estética e acústica do local
*O histórico do local

5. 

Programe as audições. Toda peça precisa de um elenco - mesmo os monólogos. Se você tiver contatos, talvez você já tenha alguns atores em mente; nesse caso, você pode ligar diretamente para eles e oferecer um papel. Se não tiver, você deve fazer audições. Divulgue as audições para que os atores saibam delas e compareçam para tentar um papel em sua produção.
*Divulgue suas audições em locais que os atores frequentam, como companhias teatrais, escolas de arte, etc. e grupos com os quais eles   mantêm contato, como agências de talento, por exemplo.

6.        
Contrate uma equipe de apoio. Os atores não são os únicos que trabalharão em uma peça. Contra-regras, técnicos de som e iluminação, figurinistas, coreógrafos, e inúmeros funcionários são necessários para uma produção de sucesso. Como produtor, você precisa supervisionar a contratação desses profissionais, mas não precisará dirigi-los nas tarefas do dia-a-dia, para isso você pode delegar supervisores.
*Lembre-se de que alguns teatros não fornecem funcionários. Nesse caso, você será responsável pela contratação de mais profissionais.

7.        
Monte seu elenco. Geralmente a palavra final é do diretor, já que ele trabalhará diretamente com o elenco para criar o produto final. Entretanto, dependendo da sua relação com o diretor, você poderá participar da escolha, principalmente se tiver experiência nesse processo.





Parte 2 de 2: Levando a peça para o palco

1.   


Elabore um calendário de ensaios. Uma peça de teatro exige uma preparação extensiva para ser apresentada para o público. Colabore com o diretor elaborando um calendário de ensaios rigoroso, porém justo, com mais ensaios à medida em que a estreia se aproxima. Não se esqueça de verificar o preço e a disponibilidade do espaço para os ensaios e as datas de outros eventos no local que você escolheu. Recomenda-se marcar uma hora de ensaio para cada página do texto da peça.
*Reserve um tempo para ensaios técnicos e provas de figurino. Ensaios técnicos permitem à toda equipe passar a peça toda e corrigir qualquer imperfeição que haja nos aspectos técnicos da produção - iluminação, som, figurino, e efeitos especiais. Ensaios com prova de figurino são feitos sem paradas, como se a plateia estivesse assistindo. Por exemplo, se um ator esquecer sua fala, a peça deve continuar, como acontece em uma performance com público.

2.
Cuide do seguro de responsabilidade. Alguns teatros cuidam disso, outros não. Caso um ator ou espectador se machuque durante o espetáculo, o pacote de seguros cobre os custos, evitando que o teatro ou você pague do próprio bolso. Portanto, o seguro é uma boa ideia, principalmente em produções com acrobatas, pirotecnias, entre outros efeitos.



3. 
Cuide da criação ou compra de cenários, figurinos e acessórios. Produtos feitos especialmente para a produção demoram mais tempo para ficarem prontos. Se o cenário contiver peças mais elaboradas, sua construção deve começar antes mesmo dos ensaios começarem! Sua função é contratar, coordenar e delegar técnicos e designers para trazer vida à sua peça.
*Caso você não tenha tanto dinheiro para a produção, não é necessário comprar tudo novo. Você pode, por exemplo, buscar roupas em brechós para compor o figurino. Você também pode buscar voluntários para ajudar na construção dos cenários. O teatro é uma bela oportunidade de reunir a comunidade com um propósito divertido de entretenimento.

4.
Crie um calendário de apresentações. Normalmente as produções teatrais não são apresentadas somente uma vez. Grandes produções em grandes teatros podem ficar em cartaz por vários meses, com sessões em vários dias da semana; e mesmo produções menores fazem várias apresentações. Como produtor, sua função é elaborar o calendário de apresentações, levando em conta os feriados, a disponibilidade da sua equipe e as condições do mercado, como a frequência da temporada, etc.
*Tente manter sua peça em cartaz pelo tempo em que você achar que consegue vender ingressos o bastante para lucrar - se as sessões tiverem ingressos esgotados, acrescente mais apresentações.

5.
Divulgue a peça. A divulgação é uma parte essencial do trabalho do produtor e, talvez o fator mais importante para a lotação da casa na estreia. Divulgue sua peça em todos os meios que estiverem dentro do seu orçamento. Você pode, por exemplo, comprar um espaço publicitário no rádio ou televisão, alugar um outdoor, ou distribuir folhetos da peça em escolas e universidades. Dependendo do tamanho da sua divulgação, seus gastos podem ser mínimos ou enormes.
*Nem todos os meios de divulgação custam caro. Se você conseguir atrair um jornal ou canal de TV para fazer uma reportagem sobre sua peça, por exemplo, você ganhará publicidade de graça. Além disso, a internet oferece muitas opções de divulgação grátis, como o e-mail e as redes sociais.

6.        
Supervisione a peça enquanto estiver em cartaz. Seus deveres como produtor não terminam depois da estreia. Mesmo com menos responsabilidades, o produtor ainda é o principal responsável por todos os aspectos da peça. Esteja preparado para resolver problemas, quando surgirem. Você pode precisar repôr ou consertar acessórios quebrados, refazer o calendário de apresentações, entre outras coisas. É de seu interesse que a produção seja tranquila e livre de problemas, portanto não se ausente depois da estreia.
*Como dito acima, uma coisa que você deve fazer é manter os investidores animados com a produção - principalmente no aspecto financeiro. Talvez você tenha que apresentar relatórios financeiros, que pode ser uma experiência estressante caso a peça não esteja rendendo lucros.

7.
Pague sua equipe e seus investidores. Quando sua peça começar a dar lucros de bilheteria, você deve pagar uma porcentagem aos investidores. Além disso, o aluguel do teatro também pegará parte da sua bilheteria - como produtor, você deve distribuir o dinheiro da maneira correta. Com ou sem lucro, você deve certificar-se de pagar seus atores e equipe, que trabalharam duro na produção.



Boa sorte na sua peça :)




Teatro Épico e Teatro Dramático. Qual a diferença entre eles ?

TEATRO ÉPICO 
O teatro épico se desenvolveu na Rússia depois da Revolução Russa de 1917, e na Alemanha, durante o período da República de Weimar. São considerados pioneiros desta linguagem o diretor russo Meyerhold e o diretor teatral alemão Erwin Piscator. Apesar dos elementos da linguagem épica no teatro existirem desde os seus primórdios, desde os gregos, o conceito de Teatro Épico ficou conhecido com o trabalho prático e teórico de Bertolt Brecht, aluno de Meyerhold, sob forma de uma nova linguagem cênica. 



O Teatro Épico tem como base a interpretação de textos que abordam conflitos entre classes sociais, com uma forte tendência Marxista, e que são encenados por um método conhecido como Distanciamento, Estranhamento ou Efeito V, que tem por base uma abordagem quase didática da linguagem teatral, com o objetivo de provocar a reflexão e uma visão crítica do espectador, sem permitir que ele mergulhe em um processo de empatia com uma personagem ou história fictícia, ou se entregue emocionalmente ao desfecho dramático natural de uma peça. 



TEATRO DRAMÁTICO 
A base do teatro dramático remonta ao pensamento do filósofo grego Aristóteles, em sua obra "Poética", onde ele teoriza e descreve os princípios da Tragédia, uma forma de drama representado na antiga Grécia, que se caracteriza por um tom de seriedade e dignidade e tem por base um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade contra o qual o herói trágico impõe uma nova ordem, que o leva ao sofrimento ou a destruição. 

Para Aristóteles, a tragédia tem por resultado uma catarse da audiência, um sentimento de redenção e alívio ao vivenciar o terror ou o sofrimento do herói trágico e seu destino, o que explicaria o motivo do Ser Humano apreciar assistir ao sofrimento dramatizado. Basicamente, o cerne do teatro dramático é o conflito, que se justifica na medida em que Homem é um ser diáletico, que se define a partir da análise e síntese de sua reação a situações de conflito. O conflito entre os objetivos das personagens e obstáculo ao cumprimento de sua vontade gera interesse no espectador. 




Fizemos um quadro comparativo entre teatro épico e teatro dramático, para entender melhor as diferenças.



Gêneros Teatrais

Gênero teatral é uma definição sempre questionável. Como toda generalização, sempre deixará de lado traços particulares de cada obra individual e, como toda definição, ela será sempre marcada por questões e pontos de vista de cultura e de cada época.


Alguns gêneros teatrais:

Auto
Comédia
Drama
Farsa
Melodrama
Melodrama no teatro
Ópera
Musical
Revista
Stand-up comedy
Surrealismo
Tragédia
Tragicomédia
Teatro na escola
Teatro de feira
Teatro de improvisação
Teatro invisível
Teatro de fantoches
Teatro de sombras
Teatro lambe-lambe

 Existem muitos tipos de gêneros, então, decidimos explicar os mais conhecidos, são eles:



Tragédia Clássica
Na tragédia, geralmente trabalham-se com temas homéricos nos quais os heróis possuem um destino traçado e sofrem ao confrontá-lo, sendo o sofrimento irrefutável. As tragédias inspiram "terror e piedade" no público que observam os heróis (pessoas justas, nobres e corajosas) caminharem sem temores para a desgraça ou morte.
Segundo Aristóteles, “É pois a tragédia imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes do drama, imitação que se efetua não por narrativa, mas mediante atores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções.” (ARISTÓTELES, 1966).

Comédia
A palavra comédia tem origem grega (komoidía, de kômos, que significa festa, e oidós, cantor) e, ao contrário da tragédia visa provocar risos no espectador. Geralmente, o tema trabalhado nas peças apresentam situações da vida cotidiana, e são explorados os exageros do comportamento humano, os ridículos e a crítica aos costumes da sociedade.

Farsa
A farsa é um gênero dramático cômico que se utiliza de personagens caricatos e exêntricos, além de mostrar situações exageradas. Na farsa não existe a preocupação com discussão de valores ou perturbação das relações sociais mesmo quando inspira-se em situações do cotidiano. A farsa simplesmente expõe as situações de forma burlesca, visando apenas o humor.



Quem foi Constantin Stanislavski ?

Constantin Stanislavski nasceu na cidade de Moscou em 5 de Janeiro de 1863 e desde muito cedo teve seu primeiro contato com o mundo das artes. Vindo de uma família de comerciantes abastados, seu pai construiu um pequeno teatro dentro de sua própria casa, onde haviam apresentações de peças para o seleto grupo de amigos da família, bem como encontros de intelectuais conhecidos da época.
Aos 25 anos, Stanislavski passa a ser um dos fundadores, junto com Fiédotov dentre outras personalidades, da Sociedade Literária de Moscou, pois havia a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre a arte teatral. Apesar de lhe ter proporcionado certo destaque como ator e diretor, este empreendimento já não lhe era mais suficiente, pois a falta de autonomia financeira o estava levando a arcar do próprio bolso com as despesas, fazendo com que deixasse a sociedade.
Quase dez anos mais tarde, após inúmeras trocas de correspondências com o escritor e professor Vladímir Dântchenco, no dia 22 de junho de 1897 ocorre um encontro histórico que influenciaria até os dias de hoje o teatro mundial. Stanislavski e Dântchenco resolvem fundar o Teatro de Arte de Moscou, do qual tem como objetivo a busca de uma unidade teatral, inovando na forma de interpretação dos atores e proporcionando à platéia uma apresentação da realidade nos palcos, quebrando paradigmas pré-impostos, baseando-se em sérios e aprofundados estudos sobre expressão corporal, vocal e técnicas de preparação do ator. Sua vontade não se limitava a querer construir um sistema com verdades absolutas, mas sim criar a acessibilidade aos atores, indagá-los a respeito da capacidade de cada um e de como o trabalho do ator era capaz de atingir o público.
Dentre os vários métodos experimentados neste local, alguns deles foram levados mais afundo, resultando em uma série de exercícios e técnicas dos quais foram chamados mais tarde de “Sistema”, por Constantin Stanislavski.
Após sofrer um ataque cardíaco no ano de 1928, Stanislavski deixa de atuar e passa a se dedicar apenas à direção e formação de atores e diretores. Ele permanece por muito tempo relutando em escrever um livro que pudesse eternizar seus métodos e inspirar outros artistas, mas uma amiga americana chamada Elizabeth Hapgood juntamente com seu marido Norman Hapgood, conseguiram convencer Stanislavski a publicar seu primeiro livro, A Preparação do Ator, em 1936 com tradução em inglês feita pela própria Elizabeth, do qual enfatiza o trabalho interior do ator.

Stanislavski morre no dia 7 de agosto de 1938, na mesma cidade onde nasceu, Moscou, deixando como legado seus métodos, mais tarde publicados em 7 volumes com tradução em inglês, espanhol, francês, italiano, russo e português e em diferentes títulos.